ARTIGOS

  RELAÇÃO DE ARTIGOS

A FENOMENOLOGIA E A TERAPIA DE VIDA PASSADA

O POTENCIAL PSICOTERAPÊUTICO DA TERAPIA DE VIDA PASSADA

A EMERGÊNCIA ESPIRITUAL

SÍNDROME DO PÂNICO NA VISÃO DA TERAPIA DE VIDA PASSADA

PAPÉIS VIVENCIADOS EM TVP

PSICOLOGIA TRANSPESSOAL: A CIÊNCIA
DESCOBRINDO O ESPÍRITO
 

 

A FENOMENOLOGIA E A TERAPIA DE VIDA PASSADA

A Fenomenologia surgiu no início do século XX quando Husserl, investigou a intencionalidade na vivência da consciência e chegou a uma análise profunda do conhecimento, problematizando-o e apresentando a fenomenologia como o método para chegar a verdades evidentes.
Husserl questionou o Positivismo com suas descobertas causais e sistemas construídos no ar, pretenciosos em apontar a soberania de uma perspectiva na qual a representação mental de leis gerais e conceitos são transformados em “coisas” reais, autônomas e objetivas. Propôs o “retorno às próprias coisas”. Recomendou partir-se de dados indubitáveis, evidências estáveis e depois construir o conhecimento científico. Para Husserl é imprescindível buscar as coisas manifestas, evidentes, que não possam ser negadas.
Desse modo, a fenomenologia não nasceu como um método, mas como um questionamento do modo científico de pensar que considera como verdade aquilo que está restrito ao âmbito de ação de um sujeito cognoscente separado de um objeto cognoscível.
Para compreender o mundo fenomenologicamente há de se empreender um certo jeito que é diferente do jeito metafísico . Heidegger bem soube fazer essa transposição quando, em “Ser e Tempo” desconstruiu a noção de Ser da metafísica que perdurava desde Platão e propôs uma nova ontologia.
A grande contribuição da fenomenologia, a meu ver, foi demonstrar que, ao contrário do que prega a metafísica, tanto a verdade quanto o método para acessá-la são múltiplos, instáveis, relativos e provisórios (inclusive a própria fenomenologia). Não se pretende a simplificação grosseira de negar a metafísica e desqualificá-la. Apenas se quer demonstrar que é um equívoco considerá-la o único caminho que leva à verdade.
Entretanto, o caminho de “voltar às coisas mesmas” nos retira da segurança e nos desaloja de volta ao mundo real, envoltos na inconstância e instabilidade do próprio existir humano.
Para exemplificar: é como se pudéssemos atribuir, ao conceito do que seja o primeiro beijo que alguém troca com a pessoa amada, o status de verdade única e desprezar o beijo em si. Essa é a forma de conhecer da metafísica. O conceito, a representação passam a ser a verdade. O mundo real fica suspenso na idéa .
A fenomenologia coloca-se numa perspectiva em que o “conhecer” a verdade não possui essa estabilidade e segurança do conceito. Supera-o e adentra na coisa mesma (o beijo em si), aproxima-se o mais que for possível e mergulha na insegurança e instabilidade de buscar compreendê-lo nessa perspectiva multifacetada, multicolorida, instável, aparente, relativa mas, acima de tudo, real.
A metafísica seria esse pensar a realidade a partir de um ponto de segurança distante o bastante para superar a fluidez do mundo, do pensar e do existir. A fenomenologia, ao contrário, busca o conhecimento íntimo e não distante do homem e de sua humanidade onde não existe uma lógica para essa ou aquela verdade e sim modos infindáveis de ser, onde tudo é movimento e fluidez, onde a verdade não se apresenta congelada no conceito ou idéa. A verdade fenomenológica não repousa segura, etérea e distante. Está numa trama de significados que os homens vão tecendo entre si mesmos e através da qual vão se referindo e lidando com o mundo. Uma trama exuberante, caleidoscópica, plena de encantamentos, surpresas, perigos e contrastes pois que, desassossegadamente atém-se àquilo que se mostra à consciência, sem buscar mediações. Busca o fenômeno para poder lhe dar voz.
É sob esse prisma que transportaremos a fenomenologia, enquanto teoria filosófica do conhecimento, para a clínica onde se pratica a Terapia de Vida Passada, que é uma terapia vivencial e, conforme Milton Menezes, fundamenta-se na possibilidade de eliminação do sofrimento. Para ele, a TVP possui duas etapas básicas de ação terapêutica: a primeira onde ocorre o entendimento, a conscientização e a identificação dos conteúdos do passado pela regressão de memória e, depois, uma ação transformadora destes conteúdos por outros mais adequados para a vida atual do indivíduo.
Por ser uma terapia vivencial, a TVP não poderia, sem cair em incoerência insuportável, adotar um método terapêutico no qual empreendesse a explicação do fenômeno através da valorização de conceitos impostos e desarticulados da experiência do cliente. Aqui há de se clarificar que, igual a qualquer outra abordagem científica, a TVP também possui uma hipótese de trabalho que é a hipótese da reencarnação que “possibilitaria diversas experiências no nível de consciência mais densa da realidade concreta da matéria como caminho para o aperfeiçoamento em valores ditos espirituais” .
O entendimento do sofrimento, na forma como se dá na TVP, está fundado no significado deste para aquele que sofre: o cliente. O terapeuta valoriza e facilita a expressão das manifestações psíquicas conscientes e inconscientes que se apresentam. Busca aquilo que se mostra por si mesmo às consciências tanto do cliente quanto do terapeuta, dando ao primeiro, voz para esclarecer e clarificar o fenômeno. É por isso que, na TVP, é comum os clientes relatarem a própria experiência em estado ampliado de consciência utilizando, para clarificá-la ao terapeuta, a expressão “como se fosse isso ou aquilo”. Também é comum terapeuta e cliente permanecerem demoradamente junto ao fenômeno (a experiência do cliente) tentando perceber e integrar todas as nuances e formas de manifestações deste através de dimensões física, psíquica, emocional, intelectual ou espiritual. Há, na TVP, a explícita permissão e valorização da experiência do cliente, ajudando-o a tomar consciência de manifestações antes inconscientes que passam a fazer parte consciente do seu ser, independente dele considerar que sejam lembranças de uma vida passada, fantasia, criatividade ou memória genética. Como a ênfase está no vivido, na experiência singular do cliente, o terapeuta suspende idéias anteriores, crenças pessoais, preconceitos e a própria hipótese de trabalho para acolher o material que emerge como valiosa pista para se chegar à essência, à verdade do cliente e poder ajudá-lo.
Desse modo, a TVP entende a verdade como relativa ao significado e à história passada e presente do cliente e a seu projeto de futuro. Não há fórmulas, há descobertas de significados singulares. Não há porto seguro, há o desafio de correr o risco do desconhecido por onde cliente e terapeuta transitam procurando significados e sentidos que possibilitem entender, conscientizar e identificar o que causa sofrimento e as formas de superá-lo.
Em TVP, o “retorno às coisas mesmas” fenomenológico é, acima de tudo, permitir que a percepção no setting terapêutico vá além do engessamento oferecido pelos canais físicos dos 5 sentidos mais densos e se amplie através da intuição que apreende o mundo pré-reflexivamente, como chega, sem filtros ou juízo de valor, mesmo que o que chegue seja algo que vá além da explicação materialista e reducionista que, embora ainda não seja possível detectar e replicar (como acontece em várias abordagens da psicologia como, por exemplo, a psicanálise), está posto e tem tido excelentes resultados terapêuticos, estes sim facilmente reconhecidos ante uma análise desapaixonada dos fatos.
Portanto, entendo que a fenomenologia se apresenta como parceira valiosa para a Terapia de Vida Passada concedendo-lhe uma maior facilidade e tranqüilidade para realizar-se que os métodos metafísicos. Resta, por outro lado, que a metafísica humildemente reconheça que não possui respostas para tudo, como pretende e respeite outros caminhos que também levam à verdade e a uma nova maneira de fazer ciência e compreender o psiquismo humano.
Entretanto, enquanto isso não acontece e a TVP continuar a ser considerada prática marginal, no Brasil, podemos plagiar o murmúrio de Galileu no ano de 1632 referindo-se à Terra diante da “Santa” Inquisição (“apesar de tudo, se move”) e dizer: “mas que funciona, funciona”.

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O POTENCIAL PSICOTERAPÊUTICO DA TERAPIA DE VIDA PASSADA

A maioria das experiências utilizando a regressão de memória a vidas passadas parece ter começado sem essa intenção. A busca de fazer o indivíduo reviver situações anteriores que pudessem estar relacionadas aos problemas enfrentados parece ter transposto a barreira da consciência dessa realidade biográfica para uma outra possibilidade: a de que esses indivíduos tivessem vivido outras vidas, em outros contextos sócio-culturais, em outros corpos. Apesar de terem perdido aquele corpo anterior pareciam guardar algumas características físicas (sintomas) e psicológicas na personalidade atual.

A utilização da regressão de memória com finalidades terapêuticas remonta a década de 30 do séc. XX. Desde 1934, Denis Kelsey utilizava a regressão de memória na tentativa de eliminação de sintomas de várias ordens. A partir daí, muitos pesquisadores e terapeutas vão desenvolver metodologias de tratamento utilizando esse recurso.

A idéia predominante é a de que as situações traumáticas do passado tendem a causar impactos no psiquismo e no corpo físico gerando registros no psiquismo. Esses registros permanecem após a morte do corpo físico e vão influenciar a formação da personalidade da atual existência, podendo gerar diversos tipos de enfermidades. Ao favorecer que o indivíduo reviva essas situações, as cargas emocionais e físicas podem ser escoadas em um processo de catarse. A catarse será, então, um dos grandes objetivos da TVP para muitos terapeutas atuais como Hans TenDam, Roger Woolger, Morris Netherton etc..

Outros terapeutas passaram a se preocupar com a produção de insights sobre as relações entre as experiências vividas no passado e suas repercussões na vida atual. Muitos autores consideram a produção de insights o principal objetivo terapêutico em TVP.

Tenho considerado com muito respeito essas opiniões. Mesmo porque, toda a minha formação inicial atendeu a esse tipo de princípios e objetivos terapêuticos que se revelaram bastante eficazes em muitos casos. Porém, a partir da avaliação de uma série de casos, pudemos observar que nem sempre o cliente que passava por um processo regressivo, onde tinha realizado uma catarse significativa ou que tivera insights importantes, tinha uma melhora razoável. Seria uma inadequação da técnica? Do indivíduo? Ou do próprio terapeuta?

Começamos a perceber que além dos objetivos, que comecei a chamar, Tradicionais em TVP (catarse e insight) era preciso explorar novos aspectos da dinâmica psíquica e que surgem com a utilização dos novos princípios. Encontramos várias pessoas que começavam a utilizar conceitos mais psicológicos. Mas ainda de uma forma mecânica de tratamento e entendimento da psicogênese da enfermidade.

Percebemos a necessidade de desenvolvimento de uma nova forma de trabalhar. Estabelecer novos objetivos terapêuticos que atendessem mais a dinâmica psíquica do indivíduo sob a nova visão antropológica que a TVP utilizava. Começamos a desenvolver juntamente com outros profissionais o conceito de Transformação do Ser como sendo um objetivo fundamental na TVP.

A partir daí comecei a empreender um esforço de síntese de alguns conceitos que aglutinassem contribuições validadas da Psicologia Tradicional, da Filosofia, da Psicossísntese e da Psicologia Transpessoal. Era preciso, no meu modo de entender, introduzir um modelo de psiquismo que desse sustentação ao que observávamos na prática clínica.

Assim, começamos a estruturar uma série de intervenções e procedimentos que visassem abordar questões como os Traços de Caráter, Identificação e Desidentificação e o Sistema de Crenças e Valores. Comecei então a chamar esses objetivos de Psicoterapêuticos em TVP.

Com essa nova visão percebemos que não adianta em muitos casos, apenas o indivíduo recordar sua experiência traumática do passado, desta ou de outra vida, se ele não consegue estabelecer um entendimento mais profundo de sua maneira de funcionar na vida. Observamos que em algumas patologias os indivíduos tendem a repetir uma série de características, na forma de interagir com o meio, desencadeando uma enfermidade na vida atual. Por outro lado não adianta, simplesmente, a sinalização, pelo terapeuta do traço de caráter que move esse indivíduo ao longo de algumas vidas e que talvez se repita, se ele não é capaz de entender os motivos de sua estreita identificação com esse conteúdo. Em nossa opinião, é preciso todo um suporte psicoterápico para auxiliar o indivíduo na construção de um novo modus vivendi que garanta novas dinâmicas psíquicas.

O trabalho com os traços de caráter ganhou aprofundamento importante quando comecei a considerar o Sistema de Crenças e Valores no entendimento da psicogênese e no tratamento de várias psicopatologias. O que fazia com que aqueles indivíduos se fixassem naquelas vidas ou naqueles padrões de comportamento? Era uma identificação mais profunda com um Sistema de Valores que parece vir se repetindo ao longo de várias encarnações. Constatamos que muitas enfermidades pareciam surgir pela identificação que o indivíduo fazia com certos tipos de valores ao longo de várias vidas e que vinham sendo repetidos. Até gerarem uma desarmonia, um desequilíbrio que resultava na patologia.

Essa proposta possibilitou a formulação, rudimentar ainda, de uma psicologia do desenvolvimento desse ser espiritual ao longo de suas diversas experiências encarnado e desencarnado. Com isso podemos estabelecer alguns parâmetros de entendimento para as principais psicolpatologias como a depressão, transtornos de ansiedade como as fobias ou o pânico, os Transtornos Obsessivo-compulsivos etc.

Na verdade, a nossa abordagem em TVP mudou radicalmente com esses novos conceitos. Os Objetivos Psicoterapêuticos garantem uma abordagem mais integral da personalidade e do psiquismo humanos atendendo, com isso, a um número muito maior de casos com resultados positivos. A etapa da regressão de memória passou a ser um primeiro momento que possibilita a constatação pelo indivíduo, com que tipo de conteúdos ele está identificado. A partir daí começamos um verdadeiro trabalho terapêutico que visa desidentificação desses conteúdos e, mais que isso a construção de uma nova possibilidade de viver. Essa mudança não ocorre em todos os indivíduos. É claro. Mas o terapeuta assim orientado pode ser um facilitador mais eficaz na busca que seu cliente faz de superar seus desafios.
Muitas vezes o indivíduo vai fazer pequenos movimentos de transformação. Ao melhorar um sintoma mais superficial que o perturba vai deixar a terapia ou dizer que está “curado”. Outros vão fazer incursões mais profundas sobre a sua forma de funcionar, seus principais traços de personalidade e as mudanças que podem dar maior consistência ao seu processo de transformação, buscando novas relações com a vida. Alguns, diante desse trabalho, conseguem fazer grandes reformulações existenciais. Passam a se conhecer e a se reconhecer como espíritos em evolução e, assim, mudam a forma de encarar a vida. Fazem verdadeiras mudanças nas suas metas existenciais.

Nosso trabalho em TVP não é de fazer os indivíduos se lembrarem de seu passado. É leva-los a uma integração de diversas dinâmicas que permanecem em aberto em seu psiquismo de profundidade e que repercutem na personalidade atual. Nosso objetivo é leva-lo a um processo de transformação a partir do sentido que a enfermidade tem na sua vida. Ao se verem passando por diversas vidas, se vendo como uma unidade indestrutível que continua a crescer e se desenvolver, podem refazer suas aspirações e dar novo sentido a sua existência. Um verdadeiro e profundo processo de auto-conhecimento.

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EMERGÊNCIA ESPIRITUAL

A ciência tradicional não é mais materialista. Quando Einstein, Max Planck, Nils Bohr dentre outros enveredaram pela realidade subatômica da matéria, modificaram enormemente a visão do que podemos chamar Realidade. Newton havia estabelecido os princípios que explicavam a realidade objetiva através da lei da gravidade, das formulações do movimento dos sólidos e da aceleração, consagrando as dimensões do espaço e do tempo como parâmetros da realidade. Em cima dessa base, a Medicina e a Psicologia vêm sustentando suas pesquisas e procedimentos para o entendimento do homem, da vida e das enfermidades.

Entretanto, quando os grandes nomes da Física Moderna dissolveram a matéria em energia, a partir da célebre fórmula de Einstein (E=mc2) e dos conceitos da Física Quântica, inauguraram um novo período de entendimento da realidade onde o espaço ficou atrelado ao tempo e, com isso, tudo passou a ser relativo. O tempo, antes mandatário da existência, pôde ser considerado zero quando a massa chega à velocidade da luz. A luz passa a ser o referencial para a descrição da realidade.

As novas teorias cosmogônicas conseguiram chegar a cálculos precisos sobre a história do Universo até 10-48 segundos depois do Big Bang. A grande explosão que gera um nível inigualável de energia, que vai se condensando, criando galáxias, sóis, estrelas e planetas. Concretiza-se a energia numa parte mais densa: a matéria. O que ocorreu no momento preciso da explosão permanece como um mistério. Pelo menos para a ciência...

A concepção de realidade que a Física nos dá atualmente, pressupõe a atuação constante de campos de energia, pacotes de quanta, quarks etc. Um verdadeiro Universo energético onde a matéria é apenas um estado condensado de energia. Tudo está intimamente ligado a tudo. Mas por que relutamos tanto em adentrar nessa revisão conceitual quando se trata de seres humanos? Por que ainda estamos tratando as pessoas como seres encapsulados pela pele como diz Grof, em sua obra?

A realidade energética do ser humano ganha espaço e avança. Avança para a confirmação do passado. Sim, porque a maioria das tradições orientais, que remontam séculos antes da era cristã, já considerava, mesmo que de forma intuitiva, a realidade energética do homem e do universo. Isso não quer dizer uma necessária e inevitável volta aos caminhos da tradição. Minha opinião é de que todo o percurso da ciência tem a sua razão de ser e representa um avanço inquestionável do pensamento humano. Mas, há de se considerar a ampliação de nossos paradigmas incluindo a realidade sutil do ser humano.

Essa dimensão sutil, muitas vezes desconsiderada por alguns cientistas, pode ser constatada pela maioria das pessoas comuns nos fenômenos de seu dia a dia. Percepções que escapam à lógica ou as explicações convencionais. Vivências que confirmam a existência de uma outra realidade, já ratificada pela Física, uma realidade, digamos espiritual.

Todo movimento de expansão do conhecimento experimenta um primeiro momento de retração, antes do salto para um novo patamar. Essa espécie de fundamentalismo faz com que muitas posições se radicalizem, que se questionem a seriedade dos indivíduos que avançam para novos conceitos e formulações. Antes éramos jogados nas fogueiras da incompreensão, Hoje, nos processos de descrédito, ridicularização e isolamento. Mas a ciência segue o seu rumo a despeito de alguns “cientistas”.

As novas tendências na saúde, naturalmente, também enfrentam seus desafios na mudança de paradigmas. Nesse campo com um agravante. Alega-se preservar a saúde e o cidadão das falsas promessas e dos enganadores. Mas quantos trabalhos e profissionais sérios estão ganhando esse rótulo? Quantas possibilidades de alívio dos sofrimentos humanos são inibidas diante da pressão dos interesses distantes dos ideais hipocráticos?

Nossa posição, não recusa a necessidade de critério e rigor científicos. Pelo contrário. Os que estão seriamente engajados nesse processo devem buscar caminhos de interlocução com o paradigma vigente. Devemos buscar a pesquisa fundamentada e cuidadosa. Sem esquecer, jamais, de que estamos lidando com seres humanos, o que nos exige um compromisso ético no trato dessas pesquisas. Mas deve ser ética também nossa posição de, dispondo de novas formas de aliviar ou superar os sofrimentos, coloca-los à disposição da comunidade.

A Psicologia Transpessoal vem demonstrando fôlego para enfrentar esses desafios. Multiplica-se pelas várias partes do globo. Encontra solo fértil nas mentes dos que não se satisfazem com os limites que sua formação tradicional impõe no trato de certas enfermidades. Colocam-se numa condição de certa marginalidade ao sistema vigente para encontrar uma saída para suas angústias e aspirações. O trabalho com os chamados Estados Ampliados de Consciência (EAC) vem demonstrando sua potência quando conduzidos em contexto terapêutico. Também requerem treinamento constante, ampliação de recursos terapêuticos e adequação à diversidade e à complexidade do psiquismo humano.

A Terapia de Vida Passada, que considero uma abordagem transpessoal, me parece estar ainda um passo atrás nesse processo, é verdade. Muitos terapeutas se encantam pelo fenômeno regressivo. Deparar-se com uma possibilidade de lembrar vidas passadas remete a uma mudança radical do conceito materialista de vida e do conceito religioso de homem. Tratar de enfermidades com as revivência das experiências do passado exige uma revisão e uma ampliação dos conceitos psicológicos e biológicos do homem. A potência da regressão de memória no tratamento de algumas enfermidades fez com que muitos terapeutas, com treinamento acadêmico, deixassem de lado as discussões teóricas para ficar com os resultados de sua prática. Outros fizeram uma leitura simplista do processo e enfatizam a técnica regressiva em detrimento do processo complexo que representa o psiquismo humano nessa nova abordagem. A fragilidade e falta de consistência teórica e técnica tende a gerar um descrédito em torno da utilização da TVP. Entretanto, inúmeros pesquisadores estão se dedicando, no mundo inteiro, às pesquisas nesse novo campo.

Para nós, do Instituto Vita Continua, a realidade espiritual deve ser considerada um objeto de estudo pela ciência. Para isso é preciso desenvolver novas formas de pesquisa, novas metodologias e novos conceitos. No campo da saúde, esse processo de consideração da Espiritualidade como uma dimensão humana básica, é quase imperativo.

A Emergência da Espiritualidade se dá por duas vias de entendimento. A primeira porque emerge naturalmente dos postulados da Física Moderna e das observações de terapeutas transpessoais, de vida passada e tantas terapias vivenciais que, trabalhando com esses princípios, se deparam com uma nova ordem de fenômenos e possibilidades que a ciência não pode desprezar sem o risco de não atender a sua finalidade básica, que é o desenvolvimento do conhecimento e não a defesa de um paradigma.

Mas é também emergência no sentido da urgência em se considerar a dimensão espiritual no entendimento do homem e no desenvolvimento de novas abordagens do sofrimento humano. A urgência de se integrar um homem que foi dividido teoricamente em corpo e espírito. Mas que é, na vivência prática de sua vida diária, um ser multidimensional, ou seja, não tem apenas necessidades materiais, mas também afetivas, sociais, culturais e espirituais. Nosso objetivo é que mais pessoas possam estar sensíveis a essa Emergência Espiritual.

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SÍNDROME DO PÂNICO NA VISÃO DA TERAPIA DE VIDA PASSADA

Tudo começa numa situação normal de nosso cotidiano: um engarrafamento, uma fila de supermercado, uma reunião de trabalho.

Nada de especial parece acontecer para justificar aquela súbita e crescente ansiedade que começa a nos assaltar. A angústia, a aflição, a insegurança crescentes chegam a um ponto em que não conseguimos mais suportar e tudo parece se transformar.

É o desespero, o Pânico que vem como uma onda incontrolável. O coração dispara de forma assustadora, o suor intenso encharca nosso corpo e nossa roupa, a boca fica seca e a visão se turva como se fossemos desmaiar.

“Mas e se eu desmaiar aqui, o que vai acontecer comigo? Será que alguém vai me socorrer?”. A angústia que se transformou no desespero, no terror, faz com que nosso pensamento, nosso desejo seja o de fugir dali. Rapidamente. “Fugir, correr, correr...(mas, para onde?) Para um lugar seguro, onde eu possa estar com pessoas em quem eu confio. Porque se eu ficar aqui pode acontecer...

“E assim, uma série de pensamentos negativos passam pela mente do indivíduo, reforçando aquele medo absurdo de algo que não existe.A partir da primeira crise, o indivíduo sente-se extremamente inseguro e indeciso, principalmente porque teme uma nova crise: é o que chamamos do “Medo de sentir Medo”.

O que por si só já é contraditório uma vez que, quanto mais pensamos na situação que tememos, antecipamos o sentimento de medo que queremos evitar.O indivíduo não tolera mais se afastar de sua “Zona de Segurança”, achando que ao se afastar a crise vai reaparecer.

Mas apesar de todos os cuidados as crises reaparecem com freqüência e intensidade que variam de pessoa para pessoa, de tal forma que elas passam a se sentir fracas, prostradas, com a emoção à flor da pele.

Com o desenvolvimento do quadro aumentam os medos específicos, os delírios persecutórios, a debilidade física, a solidão e o indivíduo acaba, na sua grande maioria, abandonando o emprego, a faculdade, isolando-se da vida social. No dizer de um cliente nosso: “É assim que tudo começa... e parece que jamais vai terminar”.

Este é um quadro típico da Síndrome do Pânico, relatado por um número crescente de pessoas que buscam os consultórios de médicos e psicólogos. A doença que atinge atualmente, segundo as estatísticas oficiais, de 2% a 3% da população mundial, ocorre, principalmente, entre os 20 e 40 anos de idade.

Diferentemente do que se supôs inicialmente, não é um mal urbano: pesquisas que tentavam estabelecer uma ligação entre o stress urbano à Síndrome do Pânico não foram conclusivas. É significativo o número de pacientes das zonas rurais. O fato do indivíduo sentir uma dor forte no peito e taquicardia faz com que sua primeira hipótese seja de um problema cardíaco, fazendo com que procure um especialista.

Depois ele procura um neurologista, um endocrinologista e um psiquiatra.A Medicina vê a Crise de Pânico como um estado mais agudo de uma condição de ansiedade patológica já que, diferente da ansiedade e pânico normais, não há um motivo aparente que o desencadeie.

Acredita-se hoje, que a Síndrome do Pânico seja causada por um “defeito” no sistema de Neurotransmissores do organismo, que são aquelas substâncias responsáveis pela comunicação dos impulsos nervosos entre as células, tais como a Serotonina e a Noradrenalina.

No caso da Síndrome do Pânico, as informações registradas pelo organismo do meio ambiente são decodificadas como sendo de perigo. É como se a mente da pessoa fizesse uma leitura errada da situação, disparando um alarme de ação contra um perigo que objetivamente, não existe. Mas as verdadeiras causas da Síndrome do Pânico são desconhecidas.

Há hipóteses, ainda sem confirmação, de uma disfunção do sistema Endócrino ou de uma disfunção cardíaca associada à ocorrência do prolapso da válvula mitral.Com todas estas dificuldades, o diagnóstico psiquiátrico acaba sendo de uma Parafrenia Sistemática.

Traduzindo: a partir de determinado evento, o indivíduo desenvolve um delírio específico que, por ser ameaçador, provoca todas as reações físicas e psicológicas do pânico.

Os tratamentos psicológicos tradicionais consideram o Pânico como um efeito da Ansiedade Antecipatória. Ou seja, o medo de sentir medo seria desencadeado por um medo espontâneo que fica registrado no Inconsciente associado a locais ou situações específicas, estabelecendo-se um condicionamento, um estado fóbico contra uma nova crise que gera muita ansiedade.

É a Ansiedade Antecipatória que geraria uma nova crise. O medo também aqui é tratado como infundado.Com estes pressupostos, o tratamento normalmente seguido é o da utilização dos antidepressivos, com ajustes das dosagens conforme o indivíduo e evolução, associado ao Método de Exposição Sistemática e Psicoterapia.

A Exposição Sistemática consiste em estabelecer metas de exposição programada e crescente à situações e locais que antes geravam a crise de pânico. Os paciente relatam suor intenso, sede, desarranjo intestinal, tontura e embaralhamento da vista como os principais efeitos colaterais do medicamento, enquanto que o Método de Exposição faz com que cada etapa seja vivida com muita tensão e ansiedade. Além disto, as mesmas pesquisas indicam que 70% dos pacientes medicados não conseguem deixar de tomar alguma quantidade de medicamento ao longo de toda a sua vida.

O grande sofrimento da maioria dos portadores da Síndrome do Pânico é ter consciência do absurdo do pânico que sente mas que ele não consegue controlar.

Diante de tudo isto, como nós, Terapeutas de Vida Passada, entendemos este quadro de sintomas? O que nós podemos fazer por estas pessoas?O primeiro ponto a destacar é a necessidade de modificar o pressuposto básico na avaliação das doenças em geral, e na Síndrome do Pânico em particular.

A Ciência Ocidental estabeleceu metodologicamente, uma divisão entre mente e corpo tendo como conseqüência a utilização, na maioria das vezes implícita, de uma Hipótese de trabalho que considera que a vida termina após a morte e que o corpo (e a Ciência), nada tem a ver com qualquer essência que porventura possa permanecer existindo após a morte. Na TVP, como em outras abordagens Transpessoais, trabalhamos com outra Hipótese de trabalho: a reencarnação.

Esta mudança de paradigma é fundamental para se ampliar a possibilidade de avaliação e entendimento de diversas patologias. Enquanto que a Ciência Tradicional trata a Síndrome do Pânico como uma CONSEQUÊNCIA que tem como CAUSA uma disfunção bioquímica ou orgânica ou funcional, nós vemos esta disfunção também como CONSEQUÊNCIA, resultante de situações traumáticas vivenciadas em vidas passadas e registradas nos arquivos de nosso Inconsciente, esta sim, a verdadeira CAUSA.

É pensando assim, que conseguimos explicar um sem número de doenças e formas de sofrimento experimentados pelos indivíduos em sua vida atual.O que temos percebido na prática clínica é que estes acontecimentos traumáticos que vivemos no passado tiveram tal intensidade de emoção e sofrimento que geraram decisões importantes, atitudes e estruturas de funcionamento do aparelho psíquico solidamente cristalizadas e registradas no nosso Inconsciente. De tal forma que tendem, hoje, a se repetir irresistivelmente como padrões de comportamento, de pensamento e valores.

Outras vezes, estas marcas são de tal ordem que o nosso Inconsciente tenta estabelecer formas de funcionar radicalmente opostas às que geraram os traumas, numa tentativa extrema de evitar o sofrimento associado e conhecido a nível Inconsciente.

A Síndrome do Pânico é uma patologia mais complexa que os estados fóbicos comuns. Isto porque ela resulta não só do reflexo destes conteúdos traumáticos de Vida Passada na vida atual, mas de uma combinação de outros fatores que determinam o quadro descrito anteriormente. Estamos falando da atuação das “presenças”. Este conceito desenvolvido e utilizado dentro da sistematização metodológica do processo terapêutico TVP, é fundamental para o entendimento de vários sintomas da Síndrome do Pânico.

Para nós, “presenças” são os personagens do passado, com os quais nós convivemos e deixamos questões mal resolvidas. Estes foram as vítimas de nossos erros e desatinos do passado, que não conseguiram esquecer de nós e de todo o sofrimento que provocamos. Estes desafetos do passado remoto continuam interagindo conosco, apesar de estarem em outra dimensão (extra física), com base nos sentimentos de ódio, vingança, pensamentos negativos, dos juízos de valor nos quais ainda estão fixados.

É movida por estes sentimentos que a “presença” estimula, excita, os medos inconscientes que trazemos de outras existências. As sugestões negativas, através de uma ligação mental potente, desencadeiam os chamados delírios, ou seja o pânico não é tão infundado como dizem, são verdadeiros pois encontram-se nos arquivos inconscientes do já vivido, do já experimentado.

Destes medos, o que aparece com mais freqüência na prática de consultório é o medo de passar mal sem assistência, não ser socorrido e da agonia de morrer assim. Com esta estratégia as “presenças” conseguem seus objetivos de desforra através do sofrimento que causam pelo delírio, o isolamento social, o constrangimento e a humilhação do paciente da Síndrome do Pânico.

Mas como é que as “presenças” atuam? Parecem ser dois os principais caminhos utilizados eficazmente pelas “presenças”. O primeiro é uma característica especial que algumas pessoas possuem, que as tornam mais suscetíveis a estas influências. É o que nós chamamos de paranormalidades. Ou seja, algumas pessoas possuem uma maior sensibilidade de perceber além da realidade objetiva que se apresenta ao nosso conjunto de sentidos.

Podem perceber outras realidades extra físicas, provocar fenômenos físicos chamados equivocadamente de para-normais. Equivocadamente porque são mais normais do que se supõe ou queira se admitir. Estas características parecem estar mais desorganizadas, talvez até porque desconhecidas, no indivíduo portador da Síndrome do Pânico. Alguns estudos sobre o assunto, como o do Dr. Matthieu Tubino “Um ‘Fluido Vital’ Chamado Ectoplasma”, demonstram que diversas pessoas possuem como paranormalidade, uma maior facilidade de produzir ectoplasma.

Este ectoplasma é “manipulado” pelas “presenças” explicando assim os diversos sintomas físicos experimentados pelos portadores da Síndrome: tonturas, taquicardia, falta de ar, dor e pressão no peito, etc..O outro caminho parece ser os traços de caráter do indivíduo. São os traços de caráter que determinam e mantém uma série interminável de comportamentos, sentimentos, formas de funcionar, juízos de valor e pensamentos.

Podemos citar diversos traços considerados como defeitos de caráter tais como o orgulho, a vaidade, o egoísmo, a intolerância, a irritabilidade, a inveja, o ciúme, o ódio, a mágoa, a vergonha, etc.. Cada personalidade nossa do passado parece contribuir com um determinado traço, ou reforçar outros tantos adquiridos em outras existências.

Parece que as “presenças” tem a capacidade de identificar seus algozes do passado exatamente pelos traços de caráter (que provavelmente continuam os mesmos) e sobre eles atuam sempre com a idéia fixa de levar a cabo seu projeto de vingança. Nada como uma crise de pânico para levar sofrimento a indivíduos que trazem traços de caráter de dominadores, ou o isolamento e o rótulo de incompetente, ou mesmo da ridicularização ante uma série de “medos infundados” para indivíduos que ainda mantém estruturas de orgulho e vaidade no seu comportamento de vida atual.Muitas vezes é o próprio sofrimento causado por estes conflitos o fator que sinaliza ao indivíduo a necessidade de mudar.

Na grande maioria dos casos este sofrimento parece estar na dificuldade dos indivíduos em admitir que para eliminar a dor, o resultado final, o efeito, é preciso encarar suas causas e suas implicações negativas em suas próprias vidas e nas vidas dos demais indivíduos de sua atual e pretérita convivência. Só que estes traços de caráter são incompatíveis com o nosso projeto de felicidade.

Enquanto não conseguirmos nos conscientizar da necessidade de abrandamento destas características que trazemos do passado e que, tanto lá como agora, nos trazem diversos problemas, não seremos capazes de trilhar este caminho de Felicidade e Harmonia. Através do conhecimento destes conteúdos pretéritos, o indivíduo consegue identificar a necessidade de modificar certos valores e atitudes que vem produzindo desequilíbrios, gerando a maior parte de seus sofrimentos.

Como pudemos ver a TVP, ao considerar o componente espiritual do ser humano, entende e propõe uma forma de tratamento singular, não só para a Síndrome do Pânico, mas para diversas psicopatologias que se apresentam como verdadeiros desafios à Ciência. Lembramos que a Terapia de Vida Passada não é uma panacéia onde, magicamente, conseguimos explicar e resolver todas as questões, mas se apresenta como uma grande possibilidade de conscientização e desenvolvimento do indivíduo.

Através de uma investigação criteriosa e séria dos conteúdos inconscientes do indivíduo, permite o seu re-equilíbrio e a resolução de diversos problemas, dependendo muito mais do esforço e da vontade de mudar do indivíduo, que de qualquer outro fator externo.

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PAPÉIS VIVENCIADOS EM TVP

A Terapia de Vida Passada é uma abordagem terapêutica que integra, atualmente, vários recursos no atendimento de diversas patologias.
Muitas pessoas ainda confundem a TVP com a Regressão de Memória.

Entendemos a Terapia de Vida Passada como um conjunto muito maior de procedimentos e recursos terapêuticos que podem ser utilizados pelo terapeuta no transcurso do tratamento. A Regressão de Memória é apenas uma técnica, importante e muito potente, que lança mão para levar o cliente a um Estado Ampliado de Consciência.

Neste estado ampliado o indivíduo consegue acessar registros de sua memória extracerebral relativos aos acontecimentos já vividos pela individualidade em outros momentos de sua vida passada.

A Regressão de Memória constitui um primeiro momento do processo da TVP onde nosso objetivo primordial será a localização e vivência das situações traumáticas ou de desequilíbrio que ainda se encontram cravadas no psiquismo de profundidade do indivíduo e que atuam na vida atual através de emoções, pensamentos ou comportamentos inadequados e dos quais o indivíduo não consegue modificar.

Este primeiro momento, chamado por nós de IDENTIFICAÇÃO, é fundamental para o processo terapêutico em si, chamado por nós de TRANSFORMAÇÃO, onde o terapeuta auxilia o indivíduo a se desidentificar desses resíduos ou cristalizações do passado.

Nossa observação clínica vem destacando a ocorrência de alguns papéis vivenciados nas regressões de memória, que possuem características específicas que se repetem e que parecem produzir nos indivíduos experiências marcantes associadas a alguns importantes sentimentos e comportamentos atuais.

Chamamos de Papéis os tipos de personagem que identificamos em uma vida passada, ou seja, pela forma como ele reage e enfrenta as situações. Os principais papéis vivenciados são a VÍTIMA, o ALGOZ e o OBSERVADOR.

Chamamos de VÍTIMA aquele papel vivenciado em vida passada onde o personagem experimentou grandes sofrimentos, injustiças, dores, aprisionamentos, traições etc. Nessas situações o indivíduo, em vida passada, sofreu grandes desequilíbrios em função das circunstâncias em que se envolveu.

Os desequilíbrios foram de tal ordem que desestruturaram o ego deixando marcas tão profundas no psiquismo que tendem a permanecer com forte conteúdo emocional ou influenciando o comportamento na forma de repetição de padrões ou contrapadrões, ao longo de outras vidas sucessivas.

Um dos exemplos mais comuns são as fobias, medos excessivos de um determinado objeto ou situação, que na maioria das vezes só poderá ser razoavelmente explicado a partir de experiências traumáticas ocorridas em vida passada.

Outro papel vivenciado pelos indivíduos em suas regressões as experiências de vida passada é o de ALGOZ. Normalmente, chamamos de ALGOZ, aquele personagem que provoca, direta ou indiretamente, o sofrimento ou situações de desequilíbrio a outras pessoas.

Muitas vezes movidos por interesses pessoais de várias formas, por prazer, por pressão “irresistível” do contexto social ou pela manifestação de traços primitivos e negativos de nosso caráter, acabamos agindo de forma egocêntrica e não considerando o respeito ao outro.

Costumamos dizer que, muitas vezes, não agimos assim por pura maldade, como alguns podem supor. As condições sócio-econômicas do passado eram extremamente duras e com graves diferenças de oportunidades causando uma luta selvagem pela sobrevivência.

A configuração de valores vivida nessas épocas privilegiavam e até destacavam essas atitudes, muitas vezes violentas e cruéis, representando um primitivismo dos indivíduos e da sociedade que parece também progredir numa escala evolucionista ao longo das existências e gerações.

Mas, independente da consciência ou não desses valores, os desequilíbrios individuais ficam marcados no psiquismo de profundidade, emergindo em dado momento como a buscar um necessário re-equilíbrio.

Para nós, o papel de ALGOZ tem grande importância no processo terapêutico. Não para apontar os “culpados” do passado ou para nos prendermos nas interpretações simplistas do tipo: “você hoje sofre isso porque fez aquilo no passado”.
Essa visão simplista empobrece e reduz as possibilidades terapêuticas da TVP. Diante de uma lembrança de um papel de ALGOZ, o Inconsciente procura sinalizar a repetição de padrões de traços de caráter que podem estar motivando ou mantendo os problemas de vida atual.

A partir da identificação desses traços de caráter podemos empreender e direcionar todo o esforço terapêutico no sentido da transformação necessária do indivíduo.

Daí a importância de que o terapeuta de vida passada seja um profissional da área de saúde habilitado a lidar com o material psicológico que emerge em uma regressão de memória. Tem outra grande importância o papel de ALGOZ: a identificação da atuação de “Presenças” no problema de vida atual.

Chamamos de “Presença” a individualidade que permanece desencarnada mas que atua e influencia o psiquismo do indivíduo por se considerar um desafeto seu. Na esmagadora maioria das vezes, a identificação de uma “Presença” no processo terapêutico do indivíduo está associada a alguma situação vivida entre cliente e “Presença”, em vida passada, onde o cliente (vítima da atuação de hoje) provocou graves sofrimentos, constrangimentos ou desequilíbrios à “presença”, muitas vezes provocando sua morte ou de pessoas queridas.

Talvez seja o papel de OBSERVADOR, o menos comum de se encontrar em um processo regressivo dessa natureza. Entendemos como OBSERVADOR, aquele papel vivido pelo personagem que diante de uma situação crítica se omite de qualquer participação, observa simplesmente ou evita deliberadamente seu envolvimento, causando a dor ou sofrimento de outras pessoas.

Como exemplo, podemos citar uma regressão de memória de uma cliente que nos tinha procurado por um profundo sentimento de culpa que lhe invadia desde a infância, sem qualquer motivação aparente que a justificasse na sua vida biográfica. Em uma de suas regressões, se vê como um homem, muito rude, bruto mesmo, que vivia em um pequeno vilarejo.

Sem trabalho, vivia de biscates e pequenos serviços, muitas vezes aceitando cobrar de devedores com agressões e até mesmo execuções mandadas por credores impacientes. Não havia naquele homem qualquer tipo de remorso pelo que fazia. Um dia, bebendo numa espécie de “birosca”, sozinho, vê chegar desesperada uma conhecida sua, prostituta dos arredores. Vem até ele, pedindo ajuda pois estava sendo perseguida por alguns homens.

O nosso personagem olha com indiferença, quando chegam os tais homens. Agarram-na com força para fora, espancam-na e acabam por matá-la, diante de todos, deixando o corpo ali na rua.

Nosso personagem se aproxima, vira o corpo da mulher com um movimento de seu pé. Se depara com uma expressão de desespero, olhos esbugalhados pelo terror e pela morte. Cospe para o lado e segue seu caminho. Mas aquela expressão do rosto da mulher vai ficar gravada na sua mente. Lembrava-se com carinho daquela que, talvez, tivesse sido uma das poucas pessoas, naquela vida, que sentira algum afeto.

O sentimento de culpa por não ter feito nada por ela quando pediu ajuda o corroia por dentro sem que ele se desse conta. Os papéis vivenciados costumam deixar suas marcas. No campo dos sentimentos, podemos observar que os papéis de VÍTIMA normalmente geram sentimentos de medo e tristeza na personalidade atual. Já o de ALGOZ tende a gerar sentimentos exagerados ou desproporcionais de raiva e culpa enquanto os papéis de OBSERVADOR, resultam em significativos sentimentos de culpa.

Como podemos verificar apenas por esses aspectos destacados nesse artigo, a compreensão desses papéis somente, já oferecerem uma série de possibilidades de intervenção e de compreensão da complexidade psicológica que se desdobra quando consideramos o indivíduo integral, ou seja, nas suas dimensões biológica, psicológica, social, cultural e espiritual.

Essa pequena análise de um dos aspectos que podem ser observados durante a etapa da regressão de memória, demonstra o potencial de recursos que essa nova abordagem, a Terapia de Vida Passada, pode oferecer aos profissionais da psicoterapia na compreensão do homem e seus sofrimentos.

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PSICOLOGIA TRANSPESSOAL: A CIÊNCIA DESCOBRINDO O ESPÍRITO

Como entender as singularidades das pessoas? Suas diferenças na forma de pensar, agir, sentir e se relacionar com os outros? Esse tem sido o principal objetivo de estudo da Psicologia Ocidental moderna.

A Psicologia tem se ocupado em desenvolver diversas formas de compreensão e de explicação dos processos mentais, dos comportamentos e emoções características que, juntamente à inteligência, temperamento, etc., determinam a personalidade do indivíduo.

Porém, os diversos modelos teóricos explicativos do psiquismo humano parecem divergir em alguns pontos e não conseguem, isoladamente, dar conta dos complexos fenômenos observados no comportamento humano. Não só do comportamento dito normal como do convencionalmente chamado de patológico ou inadequado.Após os importantes ciclos de pensamento na Psicologia como o Behaviorismo, a Psicanálise e o Humanismo/Existencialismo, temos assistido o crescimento de uma 4a força que passou a ser conhecida por Psicologia Transpessoal.

Essa nova tendência de pensamento se constituiu a partir da crescente preocupação dos pesquisadores com a importância e atuação das necessidades espirituais no ser humano observadas, diga-se de passagem, em qualquer período ou local da história da Humanidade.Espiritualidade não quer dizer Religiosidade.

A busca do espiritual sempre esteve associada a algum tipo da prática religiosa. Hoje, com a Psicologia Transpessoal rompe-se essa barreira restritiva, na medida que podemos introduzir a questão do espírito ou dimensão espiritual como objeto de estudo da Ciência, observando seus reflexos na vida e construindo modelos teóricos explicativos coerentes.

É claro que o paradigma científico atual precisa ser ampliado para poder abranger os fenômenos que são a base da Psicologia Transpessoal, já que tratam de níveis de consciência e de realidade além dos limites da realidade tridimensional percebida por nossos cinco sentidos básicos.

Os principais pesquisadores da Psicologia Transpessoal, como Stanislav Groff, Ken Wilber, Roberto Assagioli, Charles Tart, dentre outros, têm se ocupado principalmente de pesquisar a estrutura da mente humana ou a Cartografia do Psiquismo.

Nestes estudos tem-se observado a possibilidade do indivíduo experimentar estados mentais de forma espontânea ou induzida, onde é capaz de perceber níveis de realidade diferentes daqueles condicionados aos nossos cinco sentidos básicos que tem sido a base de observação pela Ciência pois compõem a realidade objetiva palpável.
Porém, os avanços da Física quântica e einsteniana tem comprovado a possibilidade de existência de realidades, universos ou planos paralelos à nossa restrita consciência.

Estas experiências são chamadas de transpessoais pois representam uma consciência e realidades, mesmo que subjetivas, que vão “além da personalidade” comum.

Com esta nova forma de entendimento do ser humano, alguns fenômenos complexos como a Regressão de Memória, a Percepção extra-sensorial, a telepatia, passam a ter uma explicação plausível. Mais do que isso. A aplicação destes princípios transpessoais, quando aplicados à clínica psicológica, tem permitido uma ampliação na capacidade da Ciência em superar desafios, em minimizar a dor e o sofrimento dos indivíduos de forma mais rápida e duradoura.

Pode ser que na dimensão espiritual do homem esteja a chave para a sua compreensão.

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