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Terapia
de Vida Passada e Espiritismo:
Existe uma relação entre a Terapia de Vida Passada
e o Espiritismo?
A TVP é uma prática espírita
porque também considera a reencarnação?
Podemos fazer regressão de memória e lembrar
das experiências do passado já que nascemos sem
lembrar naturalmente delas?
O fato de terem princípios semelhantes como a hipótese
da reencarnação ou a consideração
do homem como um ser espiritual em evolução,
faz com que muitas pessoas achem que a TVP é uma prática
espírita. Isso não é verdade.
A TVP e o Espiritismo tem objetivos distintos. Em TVP o objetivo
é eminentemente terapêutico, pois utiliza uma
metodologia para enfrentar e superar os sofrimentos dos indivíduos.
A Doutrina Espírita, codificada por Allan Kardec, visa
o aperfeiçoamento do homem a partir da observação
de princípios morais e filosóficos tirados das
comunicações dos espíritos e tendo como
base a mensagem de Jesus.
As principais aproximações entre as duas propostas
são a consideração da reencarnação,
o entendimento do sofrimento como um obstáculo no processo
evolutivo, na possibilidade de influências espirituais
externas, nas enfermidades e na necessidade de reforma de
valores e atitudes como meio de superação do
sofrimento.
Entretanto, a maior preocupação por parte dos
espíritas, quanto a utilização da regressão
de memória como instrumento terapêutico, está
na possibilidade de lembrarmos o nosso passado. O esquecimento
natural de nossas vidas passadas é entendido, por alguns
espíritas como algo inquestionável.
Ao aprofundarmos nos estudos do Espiritismo observamos que
os espíritos alertam sobre os cuidados e dos inconvenientes
nessa lembrança principalmente nos casos que são
motivados pela curiosidade. Essa lembrança pode, de
fato, gerar lembranças dolorosas ou o reconhecimento
de pessoas que convivem conosco hoje e que foram responsáveis
pelos nossos sofrimentos anteriores causando problemas nas
relações interpessoais.
Contudo, quando utilizada com finalidades terapêuticas,
veremos a regressão ser considerada por autores espirituais
como André Luis, Joanna de Ângelis e Bezerra
de Menezes ou encarnados como Hermínio Miranda e Jorge
Andréa como recurso válido desde que realizado
com critério e seriedade.
A importância do esquecimento do passado pode ser melhor
compreendida se observarmos que Kardec aborda suas implicações
no capítulo 7, da parte Segunda, de O Livro dos Espíritos
que trata “Da Volta do Espírito à Vida
Corporal”. Ou seja, quando o espírito volta ao
corpo físico, pela reencarnação, ele
precisa do esquecimento para que a lembrança simultânea
de todas as suas experiências passadas não causem
um verdadeiro surto psicótico na personalidade atual
da criança em desenvolvimento, fato que comprometeria
o desenvolvimento natural dessa nova oportunidade de vida
e evolução do ser espiritual.
Outro argumento favorável à utilização
da regressão de memória como instrumento terapêutico
está na constatação de que só
lembramos aquilo que ainda está presente no psiquismo
atual do indivíduo. O terapeuta Milton Menezes, afirma
que na verdade não vamos ao passado na regressão
de memória, mas é o passado que está
presente através do sintoma e do sofrimento de hoje,
que poderia ser considerado um resíduo que precisa
ser entendido e deixado para trás. Seguindo esta linha
e, como envolve conteúdos emocionalmente delicados
e complexos, só deve ser realizado dentro de um contexto
terapêutico para que não traga problemas e desequilíbrios
desnecessários.
Como vem sendo desenvolvida por cientistas de diversas partes
do mundo, a regressão de memória poderá
ser entendida como um recurso que evidencia a realidade espiritual
do homem, a hipótese da reencarnação
como fenômeno natural e a necessidade de aquisição
de valores diferentes aos que vem sendo partilhados pela sociedade
contemporânea.
As pessoas que procuram esse recurso sofrem de várias
enfermidades, emocionais ou físicas. A maioria delas
encontra a superação desses problemas quando
identificam suas experiências anteriores e o que ainda
traziam dessas experiências e que precisa ser transformado
hoje. O sofrimento acaba, então, por se transformar
em instrumento de conscientização da sua realidade
espiritual e da conseqüente mudança de metas da
sua existência. Neste sentido, a TVP e a Doutrina Espírita
se aproximam de forma decisiva.
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